quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Caçador de lobisomens

Esta é a história de um lobisomem e sua cidade, eu não conheci muitos lobisomens, mas uma coisa eu sei que é verdade: eles nem sempre são mals, e para minha infelicidade, nem sempre são bons. Na cidade em que eu cresci existia um lobisomem, e foi por conta dele que decidi dedicar minha vida a caça-los, mas este tinha algo de especial, ele era mais humano que lobo. Não digo que ele usava roupas ou tinha piedade de suas vitimas, a única coisa de humano que este tinha era sua inteligência e malicia que um animal não tem.
Fui para esta pequena cidade verificar se as historias que ouvi dela eram reais ou contos de fada. Como sempre faço em minhas caçadas, eu conheço a cidade antes de mostrar que sou um caçador, desta vez me mostrei como um vendedor de moveis, mas geralmente finjo ser um fabricante de bebidas. A história é sempre a mesma, digo estar interessado em ganhar a vida na cidade e quero saber se me mudo para ela ou tento a sorte em outra. Pelo meu procedimento padrão, fico uns meses esperando as informações chegarem e se não chegarem me mostro como um caçador e tento busca-lo diretamente e para minha sorte as informações vieram.
Não demorou muito, em um mês sujeito afirmou ter visto o lobisomem e cheguei nele com o pretexto de vender moveis. Ele não conseguiu ver bem o bixo, mas consegui descobrir que poderia ser real, a descrição da lua cheia e um animal que andava de quatro patas levantando eram indícios fortes. Outras pessoas afirmavam terem visto eles, e para minha sorte, uma destas pessoas precisava de uma mesa nova.
Eu já estava acumulando muitas despesas e pensando em quebrar o disfarce quando algo aconteceu: numa noite de lua cheia, um jovem foi encontrado morto numa rua atrás do cemitério. Ele tinha marcas de aranhados e mordidas, pareciam mordidas humanos, mas um especialista como eu percebeu que eram profundas demais para um humano, não pude ver muito para parecer apenas uma curiosidade, mas soube que este lobisomem é do tipo que morde e arranha, agora sabia que era alguém com unhas não cortadas. Para não quebrar meu disfarce, fiz uma confissão ao padre de deixei que ele contasse à cidade que um caçador de lobisomens estava na cidade.
A noticia logo se espalhou, e a cidade já estava planejando como ajudar este desconhecido. Eu claro pensava num pagamento generoso e ajuda com informações, o resta faria só. Como de costumo, vi que não mostrar quem eu era foi de grande importância. Na lua cheia seguinte ao meu anuncio, um coroinha da igreja foi morto pelo lobisomem, e com seu sangue ele escreveu "vá embora". Como pedi ao padre, fizeram com que todas as pessoas passassem pelo local para ver o corpo, assim podia ter informações sem quebrar o disfarce. Percebi novamente cortes de garras, mas desta vez sem mordidas.
Esta foi a primeira vez que vi um lobisomem que sabia escrever. Até então achei ser impossível usar a inteligência em meio as ira e fúria instintiva de um lobo. Em vez de medo em poder ser descoberto minha vontade de caça-lo apenas cresceu, e ainda mais com as outras coisas...

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